Encontro reforça potencial de integração e unidade dos povos

  1. 07-07-2015 EVO MORALES EMMPP - Bolivia- foto Lidyane Ponciano (15 de 67)

Foto – Lidyane Ponciano

Delegação mineira na Bolívia levanta suas percepções e expectativas no II Encontro Mundial de Movimentos Populares

Joana Tavares
De Santa Cruz de La Sierra

“Esse encontro acontece num momento de grande acirramento da luta de classes na América Latina e no Brasil, então precisamos nos encontrar e nos fortalecer para as próximas lutas que virão”, avalia Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais e coordenadora-geral do Sindicato Único dos Servidores em Educação, Sind-UTE/MG.
Beatriz foi uma das 100 lideranças mundiais de movimentos populares que participou do I Encontro com o Papa, em outubro do ano passado. Ela conta que o fato de outra reunião acontecer em tão curto espaço de tempo demonstra que a aproximação sugerida entre o Vaticano e os movimentos populares é real. “É muito significativo quando a história nos presenteia com líderes como Papa Francisco. Especialmente neste momento de grande acirramento, uma liderança como a dele ser utilizada para o bem comum é muito importante”, destaca.

A perspectiva de encontrar a figura mais importante da Igreja Católica motivou o eletricitário e diretor do Sindieletro Jair Gomes Pereira Filho a sair de ônibus de Belo Horizonte e chegar a Santa Cruz de La Sierra dois dias depois. “O Papa tem nos orientado para que pratiquemos as mudanças que o mundo tanto necessita. Ele chama a atenção que todos – inclusive a Igreja – precisamos sair da redoma e fazer o debate das justiças sociais”, diz.

Mirtes de Paula, professora em Unaí, no noroeste mineiro e coordenadora da subsede do Sind-UTE/MG, recorda outra mensagem do pontífice – tratada no encontro – que precisa ser replicada. “É importante levar para minha região, que é muito afetada pelo agronegócio, a conscientização da importância de nós valorizarmos a Mãe Terra. Precisamos também formar com nossos alunos uma consciência de que a Terra merece cuidados de todos nós. Dos mais pobres, dos mais ricos, de todos”, pontua.

Frederico Santana Rick, coordenador de políticas sociais da Arquidiocese de Belo Horizonte, acredita que o Encontro Mundial de Movimentos Populares pode contribuir para criar mais pontes entre a Igreja e os movimentos, fortalecendo o lado mais progressista da instituição.

Integração
Fortalecer a unidade. Trocar experiências. Alimentar a luta. Esses também são frutos do Encontro, como lembra Feliciana Saldanha, coordenadora da subsede de Ipatinga do Sind-UTE/MG. “Essa experiência aqui tem nos fortalecido e vai possibilitar a construção de muitas lutas junto aos movimentos sociais”, acredita.

Ederson Alves da Silva, secretário de juventude da CUT Minas, destaca ainda a oportunidade de conhecer outros movimentos e perceber como se vivem problemas parecidos em todo o mundo. “Em todo lugar é preciso avançar na distribuição de renda para a população”, sublinha.

Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da CUT Minas, acrescenta que o ataque à classe trabalhadora é globalizado e a resistência também precisa ser. “A gente precisa se unir para entender que não é um problema local, específico, mas que enfrentamos questões comuns, no mundo todo”, reforça.

Muitas vozes
Lidyane Ponciano, fotógrafa e militante da democratização da comunicação, considera gratificante esse intercâmbio entre tantas culturas. “Várias vozes estão sendo ouvidas aqui, pessoas falando de seus direitos, reivindicando uma qualidade de vida melhor, o direito à terra, à moradia..”, pontua.
Regina Cruz, presidenta da CUT Paraná, destaca a relevância à voz das mulheres, que são trabalhadoras mais precarizadas que os homens, ganham menos, e guardam a memória da preservação. “Essa unidade das mulheres fortalece a luta feminista não só no Brasil, mas no mundo”, lembra.

Movimentos de juventude também estão presentes e também acreditam que uma luta fortalece outra. “Quando a gente vem num espaço deste se sente parte de um projeto maior que o nosso local, fortalecemos a unidade, a mística, o sentimento revolucionário. O sentimento de unidade dos povos é fundamental”, comenta Priscila Araújo, do Levante Popular da Juventude.

Quem luta educa

Unidade é uma palavra presente entre os integrantes da delegação de Minas Gerais no Encontro. Também é uma prática política. A articulação de movimentos populares e sindicais denominada Quem luta educa propõe a integração de pautas e mobilizações das organizações do estado, em torno da ideia de um projeto popular.

“A luta mineira e a luta latino-americana por um projeto alternativo e popular se concretizam aqui na troca de experiência entre vários povos. Esse encontro anuncia a disposição da unidade na construção de um projeto alternativo de sociedade”, resume Joceli Andreoli, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Beatriz Cerqueira cita outro desafio e sinal de continuidade dessa construção: a realização de um encontro de movimentos populares e a Igreja no Brasil, em fevereiro do ano que vem.

 

 

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